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Por que falar outro idioma cansa tanto? Não é frescura, nem falta de prática. Seu cérebro faz um esforço real, e a ciência explica exatamente qual. Cena comum: Camila sai de uma reunião de uma hora em inglês e sente como se tivesse corrido uma prova. Não foi um assunto difícil, ninguém foi grosseiro, ela entendeu tudo. Mesmo assim, a cabeça lateja e a única vontade é desabar no sofá, um cansaço que uma reunião inteira em português, no mesmo dia, nunca causou. Isso tem nome: fadiga de linguagem (language fatigue). E não, você não está exagerando. O que a ciência cognitiva já explicou sobre isso Quando você fala sua língua materna, praticamente tudo acontece no piloto automático: escolher a palavra certa, montar a frase, ajustar a pronúncia. O linguista Norman Segalowitz descreve essa diferença, em Cognitive Bases of Second Language Fluency , como a distância entre processamento automático e pro...
```html Ter sotaque é ruim? A ciência por trás de um preconceito que a gente nem sempre percebe. Cena de climão: Ricardo entra na reunião super preparado e empolgado, e quebra tudo na apresentação. A gerência gosta da ideia, o chefe se impressiona… mas a Larissa, gerente do RH, ri por dentro pensando “caraca, o Ricardo fala que nem um jeca rs”, só por causa do sotaque dele... Isso tem nome: discriminação linguística. E pesquisas mostram que isso é comum e estrutural . O que a linguística aplicada já provou Os linguistas Peter Roberts, Tom Jupp e Alan Davies estudaram justamente isso em Language and Discrimination : como o sotaque é avaliado em ambientes de trabalho multiculturais. A conclusão incomoda: sotaque quase nunca é julgado de forma neutra . Ele carrega, junto, um julgamento de classe social, origem e status, mesmo quando a inteligibilidade (ou seja, o quanto a pessoa é de fa...